“Mimada.” Foi assim que ele me chamou enquanto eu estava em prantos voltando pra casa depois de dias com meus pais, em minha terra natal. O cenário de aeroporto me causava angústia. Eu não sei bem o que tinha em meu peito naquele momento que precisava transbordar em lágrimas, mas “mimada” foi represa que estancou o vazamento.

De “mimada” pra frente fui perdendo a cor, ficando cinza (tonalidade preferida da paleta de cor dele). Por qualquer razão segui ao seu lado por mais um tempo. Até quase deixar de ser. …


Tem um elefante morando comigo. Minha única companhia nos últimos dias. Eu podia ter adotado um pet de verdade, mas não cabe no meu orçamento (nem no meu momento). Então vou me acostumando ao elefante mesmo. Geralmente ele é inofensivo. Acordamos dele não me atrapalhar no trabalho e ele respeita acordos muito bem.

Aí quando o expediente acaba ele sai do seu canto e fica elefanteando ao meu redor. Acho que ele pensa que é um gato. Andar com um bicho enorme cruzando meu caminho deixa meus movimentos limitados. Vou ficando mais lenta e organizar minimamente a casa tem se…


Independente da meteorologia que me toma, me arrumo pra viver mais um dia. Visto figurino de “tudo bem” e às vezes faço de conta. Tentativa de me esconder aqui dentro. É que o inexplicável incomoda. Eu não quero incomodar ninguém. Eu não quero preocupar ninguém. Eu não quero atenção de ninguém.

Quero companhia. Presença que não exija disfarce. Ser eu à paisana, sabe?! Eu integral. Mas sinto que incomodo. Afinal as pessoas têm preocupações de verdade. Eu tenho só o inexplicável. Tenho vergonha disso. Aí me escondo direitinho. Me afasto quando aqui dentro não faz sentido. Sumo quando me dói…


Às 5:33 um “oi” visualizado às 10:12 e respondido às 22:57 com um “eiiiii”, assim, com 5 is, pra disfarçar a falta de interesse com uma falta de tempo ou um lapso qualquer. A conversa se estende com um “tudo bem?”, às 23:00, mergulhado na esperança de que dessa vez vai ser diferente. E então, às 23:33, um “Joia. E você?” protocolar, para não perder o vínculo. E por aí segue mais um diálogo, fragmentado, justificado por “é assim mesmo”, “deixa fluir”, “não cria expectativas”, “são tempos líquidos”.


A gente acha que Amor só chega com a casa limpa. E haja faxina, benzimento, simpatias, banho espiritual e Irmã Cristina pra pôr em ordem o que nunca será ordenado. Pede pra Amor esperar na porta enquanto organiza a vida. Acha mesmo que ele vai ficar ao relento esperando o infinito que é arrumar nosso jardim. Depois procura ele nas cartas, búzios, tarô (que sabem nada de Amor).

A gente é caos. Amor sabe disso. Ele não liga pra bagunça. Nem faz cerimônia. Busca abrigo na gente e enquanto quisermos ele fica. Só deixar a porta aberta que ele entra…


Eu estava escrevendo você tão lindo nos meus cadernos. Deve ter uns dois ou três pela casa com frases soltas sobre detalhes seus que vão além do sorriso lindo e da voz marcante.

Eram qualquer coisa sobre seus olhos enormes que cabem toda ternura do mundo e como seus lábios nasceram para beijar ou como eu achei que o nosso último encontro seria um tornado avassalador e foi muito melhor porque senti chuva de carinho e atenção que compensou qualquer câimbra.

Podia mandar emoldurar o seu rosto quando te fiz gozar, meio desajeitada por pura falta de fluência em você……


Deixei a porta aberta. Esqueci que não sei lidar com o frio. Foi o pior dos últimos tempos. Deu até na TV. Congelei. A ventania tomou conta. Tudo fora do lugar. De novo. É sempre assim! Eu, congelada. Relutei para fechá-la. Só encostei. Desta vez, não tranquei. O corpo contra a porta por um tempo. E mais algum olhando a maçaneta. Esperando ela girar a qualquer momento. Caos por todo lado. Vou levar horas nesta arrumação. Sem tempo para a porta agora. Não está trancada! Quando e se tiver de ser, ela abre. Avistei aqui dentro. Tem sentimento grudado até no teto. Nem sei como tirá-lo de lá. Vai dar trabalho. Meu Deus! Será que isso mancha?


Costumo escrever sobre partidas por motivos óbvios: quando o coração está partido, o sentimento escorre em palavras. É meio inevitável, ainda que dolorido. Mas há algum tempo queria dizer de chegadas.

Sabe, chegar é muito mais gostoso. Só de caber dentro de acon(chegar), me parece muito mais promissor. Já não sabia como funcionava isso de chegadas e às vezes tenho a tendência a adiá-las porque elas me assustam um pouco.

Aí, num dia qualquer, num aplicativo qualquer, um match qualquer, um novo seguidor qualquer resolveu não ser mais qualquer. Aos pouquinhos, me ofereceu um cardápio variado de mensagens no café…


Eu sei que não parece, mas eu te amo. É sério. Amo você. De um jeito meio torto, eu sei. Mas é amor. Fico remoendo aquele erro, aquele deslize, aquele defeito... Mas é vontade de te ver melhor e reconhecida. Faço você pensar demais diante novos desafios, mas é o medo de te ver decepcionada ou sobrecarregada. Fico procurando alguém que te dê afeto. Você vive quebrando o coração e a cara por causa disso. Mas é que sei o quanto você gosta de dengo e não queria te ver sozinha.

Entendo o quanto é importante pra você - que…


Ela não tem estilo certo, mas me acompanha dia inteiro. Acordo desejo infinito de estar com ela e, quem sabe um dia, morar em suas músicas de amor.

grazielles

“Eu sou uma e sou várias” e por aqui escrevo com alma e sem filtro.

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